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A democracia é apresentada como um regime que exige e acolhe a oposição, sendo caracterizada por um constante debate entre governo e oposição. Ao contrário dos regimes autocráticos e totalitários, onde a oposição é suprimida, a democracia só se sustenta com a presença ativa de forças contrárias ao governo. Pilla faz uma analogia com a Inglaterra, onde tanto o governo quanto a oposição são vistos como essenciais para o funcionamento do regime. No entanto, critica a situação política do Brasil, onde, para sobreviver, o regime democrático parece necessitar da renúncia à própria essência da democracia. Aponta que, desde a Assembleia Constituinte, o país tem sido marcado por constantes renúncias para garantir sua continuidade, com acordos prévios sobre os candidatos presidenciais que limitam a liberdade de escolha do povo. O processo eleitoral, em vez de ser uma verdadeira deliberação popular, é visto como uma simples chancela da decisão já tomada. Argumenta que o Brasil não vive uma democracia plena, mas uma "ditadura constitucional, temporária e eletiva", onde a oposição deve se submeter ao governo logo após a eleição. Esse cenário resulta em crises políticas periódicas, que enfraquecem o regime, sem que haja disposição para substituir o sistema presidencial por uma forma mais eficaz de governo. A crítica central é à falta de real liberdade e participação democrática no país. |
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