Resumo:
Critica a declaração do governador eleito de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, que afirmou que “a hora não é de política, mas de administração”. Para Pilla, essa separação entre política e administração reflete a miséria da vida pública brasileira, pois ambas estão intrinsecamente ligadas. Argumenta que um governo legítimo precisa de um plano, um sistema, uma diretriz—ou seja, uma política—e a administração deve ser o meio de executar esse projeto. Política sem administração seria um pensamento sem ação, enquanto administração sem política seria uma ação sem rumo. Reconhece, no entanto, que no Brasil a palavra política costuma ser associada à exploração do poder público em benefício próprio. Se foi isso que Kubitschek quis rejeitar, então sua postura é louvável. No entanto, ele sugere que o governador eleito deveria reformular suas palavras, afirmando não que deixará de fazer política, mas que conduzirá uma política elevada e responsável. Com essa análise, denuncia a visão distorcida da política no Brasil, onde o termo muitas vezes carrega uma conotação negativa. Para ele, um governo sério não pode abrir mão da política, pois é dela que se originam as diretrizes necessárias para uma administração eficiente e bem direcionada.