Resumo:
Faz uma análise crítica sobre o governo de Eurico Gaspar Dutra, que deixa o poder ao final de seu mandato para entregar novamente a presidência a Getúlio Vargas. Descreve o governo de Dutra como medíocre e marcado por negociatas semelhantes às ocorridas no período da ditadura de Vargas. Afirma que, embora Dutra tenha falhado em reparar as consequências da ditadura, ele foi responsável por permitir o retorno de Vargas ao poder. Apesar de as desonestidades de seu governo não serem amplamente discutidas, observa que Dutra não se beneficiou pessoalmente delas, embora tenha favorecido amigos e parentes. Para ele, Dutra conseguiu preservar a ordem constitucional, mas sua atuação nesse sentido foi apenas devido à incapacidade de tomar medidas drásticas contra a Constituição, algo que, segundo Pilla, deveria ser considerado apenas uma obrigação. Critica a visão de que Dutra teria sido um defensor da Constituição, ressaltando que o presidente apenas se absteve de cometer abusos. Destaca que, em sua presidência, Dutra não atentou contra a Constituição de forma irreparável, mas também não agiu com a força esperada. Para ele, o maior "mérito" de Dutra foi não ter cometido graves atentados à Constituição, o que, dado o contexto político, foi suficiente para garantir a continuidade do regime democrático, mas também preparou o terreno para o retorno da demagogia e da instabilidade política.