Resumo:
Comenta a situação política brasileira através da figura de Otávio Mangabeira, ex-governador da Bahia, que, após uma administração democrática e eficiente, se encontra sem função pública e em trânsito para os Estados Unidos. Destaca que, apesar de Mangabeira ter se destacado em sua função e ter um sentimento de satisfação pessoal, sua partida soa como um "exílio voluntário", simbolizando o fracasso da democratização no Brasil. Lamenta que os esforços feitos até então para corrigir o sistema político foram insuficientes e que o país está preso em um ciclo de retrocessos, com o retorno de um regime político similar ao de 1937, sem que as lições do passado tenham sido aprendidas. Critica a falta de reformas significativas nos períodos de 1930, 1934 e 1946, quando havia um ambiente favorável para mudanças, mas a classe política não se interessou em realizar transformações estruturais no sistema. A ausência dessas reformas preparatórias resultou no fortalecimento do presidencialismo, que, segundo o autor, continua a gerar os mesmos efeitos negativos. Revela a sua frustração com a falta de visão de longo prazo e a busca pelo poder de forma egoísta, sem compromisso real com o bem coletivo. A viagem de Mangabeira simboliza, para o autor, a dificuldade em fugir de um destino político repetitivo e decadente.