Resumo:
Aborda a crise moral que permeia a vida pública brasileira, destacando dois eventos significativos. O primeiro envolve o comportamento do sr. Mendes de Morais, ex-prefeito, que, após a mudança de governo, silenciou sobre seu antigo protetor, o presidente Dutra, e elogiou o novo presidente Vargas, que o manteve no cargo. O segundo exemplo trata da conduta do senador Adalberto Kibeiro, que renunciou ao mandato para transmitir a vaga a seu suplente em troca de um cargo vitalício na Prefeitura do Distrito Federal, traindo o seu partido. Esses exemplos ilustram uma degeneração moral que transforma a política em uma atividade focada em benefícios pessoais e negociações oportunistas, em vez de servir ao bem público. Critica a dissolução moral da política brasileira, que passou a ser uma "indústria extrativa", onde os cargos públicos são vistos como ferramentas para obter vantagens pessoais, em vez de serem um serviço à sociedade. Ele denuncia a falta de ética nas instituições políticas, evidenciada pela troca de favores entre políticos, como a abominação de Dutra e a glorificação de Vargas, sem consideração por ideologias ou compromissos partidários. A falta de responsabilidade, característica do regime republicano, permite a ausência de freios morais na esfera pública, refletindo-se também na sociedade. A moralidade pública e privada se desfaz, e os exemplos negativos dos líderes pioram a situação.