Resumo:
Comenta sobre a instabilidade política na América Latina, utilizando o frustrado golpe de Estado no Panamá como ponto de partida. Ele destaca um paradoxo presente no continente: embora a América Latina tenha adotado predominantemente o sistema presidencialista, alegado como uma forma de garantir estabilidade política, a região é marcada pela constante instabilidade, com frequentes motins, revoluções e golpes de Estado. Critica explicações sociológicas vagas, como fatores geográficos (raça, clima, fauna), que tentam justificar essa instabilidade, mas sem apresentar evidências concretas. Propõe que a verdadeira razão para a instabilidade está na perversão política do sistema adotado nas novas repúblicas latino-americanas após a independência. Ao invés de corrigir a tendência autoritária, o presidencialismo legitimou e perpetuou o governo pessoal, no qual o poder é centralizado nas mãos de um líder, o que gerou as condições para caudilhos e ditadores. Segundo Pilla, esse sistema não promoveu a estabilidade, mas sim a instabilidade, pois cria um governo autoritário que favorece a perpetuação do poder pessoal e suas degenerações. Conclui lamentando que, educados na ditadura, os povos latino-americanos ainda enfrentam dificuldades para praticar a democracia.