Resumo:
Critica a influência excessiva de Getúlio Vargas sobre a política brasileira desde 1930, a qual continua a afetar até os debates sobre questões impessoais e cruciais, como a reforma parlamentarista. Ele argumenta que, mais do que a urgência ou necessidade da reforma, o foco das discussões está em como ela pode beneficiar ou prejudicar Vargas. Reflete sobre a subemenda Fernando Ferrari, que preocupa um comentarista político do Diário de Notícias, que vê nela uma estratégia para Vargas se perpetuar no poder, especialmente devido à possibilidade de realizar a eleição presidencial 20 dias antes do término do mandato. Responde que essa cláusula é uma prática comum no sistema parlamentarista e não traz um risco extraordinário para a sucessão presidencial. Ele explica que o Congresso Nacional e a classe armada seriam os maiores garantidores da continuidade do governo, caso não houvesse sucessão, e que o maior obstáculo à reforma seria a usurpação do poder pelo presidente. Além disso, refuta a ideia de que a subemenda de Ferrari cria um risco significativo ao questionar a capacidade do Congresso de garantir a eleição caso o prazo fosse cumprido de forma inadequada. Ele conclui que, embora seja necessário manter vigilância sobre o poder de Vargas, a obsessão sobre sua influência está prejudicando a análise mais racional da situação.