Resumo:
Argumenta que o poder pessoal exercido pelos presidentes da República é muito maior do que o dos imperadores nos últimos anos do Império. A monarquia caiu, em grande parte, devido à centralização e ao autoritarismo, mas, paradoxalmente, a República consolidou e expandiu esses mesmos vícios. O que antes era amplamente criticado agora é aceito e até defendido. Ele aponta uma mudança psicológica e política como explicação para essa tolerância. No Império, o poder pessoal era vitalício e concentrado no monarca, enquanto, na República, ele se espalhou entre presidentes, governadores e prefeitos. Dessa forma, milhares de pessoas passaram a ter interesse direto na manutenção desse sistema, além de um grande número de cidadãos que ambicionam um dia exercer esse poder. Destaca que o sistema presidencialista se tornou, na prática, uma ditadura constitucional, embotando a sensibilidade democrática da sociedade. Enquanto na monarquia o poder pessoal gerava forte oposição, na República ele se tornou um privilégio acessível a muitos, tornando sua crítica mais difícil. Assim, a República não apenas herdou os defeitos do Império, como os aprofundou, perpetuando um regime onde a concentração de poder é tolerada, incentivada e almejada.