Resumo:
Contesta a ideia apresentada por Getúlio Vargas, segundo a qual a oposição também teria responsabilidades pelo rumo do país. Para Pilla, embora a oposição tenha deveres, a responsabilidade maior cabe sempre ao governo, pois é ele quem decide, executa e detém os principais meios de ação. Propõe uma inversão da lógica varguista: o governo tem responsabilidades, enquanto a oposição tem deveres. O papel fundamental da oposição, segundo Pilla, é criticar, advertir e fiscalizar o governo, assegurando o funcionamento democrático. Se a oposição abandona sua função fiscalizadora e passa a coabitar com o poder sem assumir suas responsabilidades, estará renunciando a sua própria razão de existir. Ele alerta que a fórmula equivocada de Vargas poderia levar a oposição a um erro grave: assumir que cabe a ela resolver os problemas do governo. Isso, segundo Pilla, inverteria a lógica democrática, diluindo a distinção entre governantes e opositores, o que comprometeria a essência da fiscalização política. Dessa forma, ele reafirma que a oposição deve manter sua autonomia e independência, para que possa cobrar, denunciar e impedir abusos, sem cair na armadilha de compartilhar responsabilidades que são, por natureza, exclusivas do governo.