Resumo:
Critica a falta de unidade no governo presidencialista, usando como exemplo um conflito entre os ministros da Educação e da Agricultura. Para ele, o episódio revela uma anomalia estrutural do sistema presidencial, que deveria garantir centralização e coordenação, mas, na prática, gera fragmentação e contradições. No presidencialismo, o Presidente da República é a única autoridade efetiva, com os ministros atuando como meros auxiliares. Em teoria, esse modelo permitiria unidade de ação, já que todas as decisões emanariam de um único centro de comando. No entanto, Pilla argumenta que essa concepção não funciona na realidade contemporânea, pois a administração pública tornou-se complexa demais para ser controlada por um único indivíduo. Como resultado, cada ministro acaba governando de maneira autônoma, gerando conflitos e falta de coerência nas políticas governamentais. A situação piora quando o presidente é acomodado e desinteressado, utilizando o cargo como mero instrumento de poder. Isso leva à dispersão total da autoridade, com ministros agindo de forma isolada e contraditória. Pilla defende que apenas um governo de gabinete, baseado na solidariedade e na responsabilidade coletiva dos ministros, poderia garantir unidade e eficiência. O episódio ministerial analisado reflete tanto a personalidade de Getúlio Vargas quanto as falhas do sistema presidencialista, que incentiva disputas internas em vez de um trabalho coordenado em prol do interesse público.