Resumo:
Analisa os resultados das eleições municipais em São Paulo e Santos, destacando a interpretação tendenciosa dada por alguns, especialmente os apoiadores de Getúlio Vargas, que tentam transformá-lo em um “profeta da nacionalidade”. Reflete sobre a vitória de Jânio Quadros, que, embora demagógico, conseguiu triunfar contra os candidatos oficiais, apoiados pela máquina governamental. Para ele, o voto secreto foi crucial para esse resultado, pois possibilitou a verdadeira expressão da vontade popular, sem a manipulação dos candidatos oficiais. Ele discorda da interpretação que vê nas vitórias uma falência dos partidos, apontando que a realidade política brasileira é outra: o país não possui partidos fortes, mas sim “máquinas de eleger”, com a política resumida à figura do candidato individual. Critica a falta de substância nos partidos e aponta que isso se deve ao sistema presidencialista, que enfraquece as estruturas partidárias. Ele vê nas derrotas eleitorais um reflexo de um descontentamento popular com o governo, e não uma vitória da demagogia, pois tanto Vargas quanto Ademar de Barros representavam formas de populismo. Para ele, o que prevaleceu nas urnas foi um espírito oposicionista, com o povo expressando seu descontentamento com a falta de resultados do governo. Sugere que, em um sistema parlamentar, o governo teria sido obrigado a renunciar após tamanha derrota política.