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Analisa a tradição política francesa, destacando a rejeição do país ao cesarismo, ou seja, à concentração de poder em figuras carismáticas e autoritárias. Após sucessivas mudanças constitucionais e experiências com regimes despóticos, a França abandonou o presidencialismo e adotou o parlamentarismo em 1875, estabelecendo mecanismos para conter o risco de governos autoritários. Um exemplo disso foi a restrição ao poder presidencial, incluindo a necessidade de aprovação do Senado para a dissolução da Câmara, após abusos cometidos por Mac-Mahon. Além disso, a tendência do país tem sido evitar eleger líderes de grande projeção pessoal para a presidência da República, pois o papel do presidente, no sistema parlamentar, deve ser de magistrado imparcial e não de chefe de governo. Menciona os casos de Clemenceau e De Gaulle, ambos figuras históricas de grande influência, mas que foram barrados da presidência devido ao receio de que exercessem o cargo de maneira personalista e autoritária. Cita ainda Millerand, que tentou exercer a presidência com poderes excessivos, mas foi forçado a renunciar pela reação da opinião pública e do Parlamento. Dessa forma, Pilla argumenta que a exclusão de Clemenceau da presidência não se deveu a uma preferência por mediocridades, mas sim à prudência institucional francesa em preservar a democracia e o equilíbrio de poderes. |
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