Resumo:
Analisa a crise ministerial na França, destacando que ela não invalida o sistema parlamentarista, mas sim revela as distorções que ele sofreu no país. Critica a visão equivocada dos presidencialistas brasileiros, que associam crises ministeriais a um colapso do governo, ignorando que, no parlamentarismo autêntico, há uma clara separação entre política e administração. Ele destaca que, apesar das instabilidades ministeriais, os franceses ainda preferem esse modelo a um governo autoritário estável. A rejeição de uma reforma constitucional na França, que permitiria maior estabilidade ao Executivo, é vista por Pilla como prova de que os franceses não consideram a instabilidade ministerial um problema grave. No Brasil, por outro lado, o presidencialismo se mantém não por sua eficiência, mas por interesses daqueles que desejam um Executivo forte e centralizador. Menciona seu colega Costa Neto, que argumenta que o parlamentarismo não funcionaria no Brasil, pois aqui se espera que o chefe do governo tenha poder absoluto. Ironiza essa mentalidade, comparando-a à ideia de que governar exige punir opositores com “a boa peroba goiana”. Conclui que os parlamentaristas devem ser cuidadosos na escolha de seus líderes para evitar distorções e garantir a eficiência do sistema.