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Reflete sobre as dificuldades da Democracia, destacando que seu funcionamento pleno exige um elevado padrão de virtudes morais. O verdadeiro democrata deve aceitar as decisões da maioria, mesmo quando convencido de sua razão. No entanto, o Brasil ainda não assimilou plenamente essa regra fundamental, persistindo em práticas que distorcem a vontade eleitoral. Ele critica a resistência da Câmara dos Deputados a medidas que garantiriam maior segurança ao processo eleitoral, como a exigência de fotografia e impressão digital nos títulos de eleitor. Sob justificativas frágeis, a maioria da Câmara rejeitou essas propostas, criando um impasse com a Justiça Eleitoral, que já havia estabelecido a obrigatoriedade da fotografia nos documentos eleitorais. Na tentativa de preservar algum grau de moralidade eleitoral, o Tribunal Eleitoral flexibilizou a exigência, tornando-a facultativa, esperando que sua adoção se tornasse natural. No entanto, setores da Câmara, alegando que o Tribunal violou as prerrogativas do Poder Legislativo, passaram a defender não apenas a não obrigatoriedade da fotografia, mas a proibição de sua inclusão nos títulos, sob pena de nulidade. Para Pilla, o mais alarmante não é apenas a presença dessa corrente reacionária, mas o fato de que mesmo homens de espírito público compactuam com essa postura, priorizando a conveniência política sobre a legitimidade dos mandatos. O episódio revela as profundas contradições da vida pública brasileira e a dificuldade de consolidar uma democracia verdadeira no país. |
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