Resumo:
Critica a posição do ministro Vicente Ráo sobre a questão dos territórios americanos sob jurisdição extracontinental, mencionada por Getúlio Vargas em discurso na embaixada espanhola. O articulista de um grande jornal carioca justifica a atitude de Ráo, mas em seguida escorrega ao afirmar que o ministro carece de “raízes profundas no solo da nacionalidade” e das “intuições” que somente aqueles com “comunhão secular com a terra” poderiam ter. Pilla refuta essa visão, apontando que essa concepção é infundada e exagerada, sugerindo que, segundo esse raciocínio, apenas aqueles com raízes mestiças seriam qualificados para liderar o Brasil, o que exclui muitos outros cidadãos. Ele critica também essa teoria, argumentando que ao longo da história do Brasil, muitas figuras notáveis de origem europeia, como Líbero Badaró e Carlos von Koseritz, desempenharam papéis de destaque, apesar de não serem nativos brasileiros. Também questiona a premissa de que apenas quem tem forte vínculo com a terra poderia entender a questão territorial, argumentando que Vicente Ráo, com seu ponto de vista, demonstraria uma compreensão própria de nativo, apesar de suas origens europeias. Reflete sobre a questão da identidade nacional brasileira e a formação de uma elite política, desafiando ideias preconceituosas sobre a ligação entre o pertencimento à terra e a competência para governar.