Resumo:
Aborda a questão do subsídio dos congressistas, discutida na Câmara dos Deputados. A Comissão de Finanças decidiu não propor aumento, decisão que o autor considera prudente. Ele reconhece que a inflação reduziu o poder de compra, mas destaca que a função do parlamentar não é uma profissão e, portanto, o subsídio não equivale a um salário, e sim a um auxílio para o desempenho do mandato. Ressalta que a decisão sobre o subsídio não deve ser apenas financeira, mas também política. No Brasil, há uma tendência de desvalorização do Poder Legislativo, agravada pelo presidencialismo, que concentra poder no Executivo e enfraquece a imagem do Parlamento. O presidente da República contribui para essa percepção ao expor negativamente os congressistas. Além disso, se a inflação justifica o aumento, a necessidade de controlá-la exige contenção de gastos. A elevação do subsídio colocaria o Congresso em posição vulnerável, retirando sua autoridade moral para resistir a outras pressões salariais. Diante desse cenário, considera que aumentar o subsídio seria um erro, pois agravaria a impopularidade do Legislativo e prejudicaria sua credibilidade. Mesmo diante de dificuldades financeiras, os parlamentares devem cumprir a missão cívica assumida ao se elegerem.