Resumo:
Discute a falha da implementação do artigo 54 da Constituição Brasileira, que exige que os Ministros de Estado compareçam ao Congresso Nacional, quando convocados, para prestar esclarecimentos. Este artigo deveria garantir que o Poder Legislativo pudesse exigir diretamente a presença dos ministros para explicar assuntos de interesse público. Contudo, a prática tem demonstrado que, na realidade, a convocação depende da aprovação prévia do ministro, o que anula o objetivo do artigo. O líder do governo no Congresso, Gustavo Capanema, frequentemente tem condicionado a convocação à concordância do ministro, tornando o processo submisso à vontade do Poder Executivo e não do Legislativo. Mesmo quando a convocação é solicitada pelo Congresso, a maioria dos deputados tende a acatar a recusa do ministro, prejudicando a autonomia e a eficácia do controle legislativo sobre o Executivo. Critica a inversão de papéis, onde o Congresso, teoricamente responsável por fiscalizar e controlar o Executivo, acaba sendo submisso às decisões dos ministros. Ao final, ele denuncia o mau uso do artigo 54 da Constituição, que, ao invés de fortalecer a fiscalização e a transparência, tem reforçado a centralização do poder nas mãos do Executivo, comprometendo o funcionamento do sistema presidencialista.