Resumo:
Rebate a visão do vice-presidente Café Filho, que argumenta que os problemas do Brasil não dependem fundamentalmente de uma mudança no regime de governo. Segundo Café Filho, é um erro focar apenas na reforma política, pois o país necessita de reformas em diversas áreas. Critica essa perspectiva, destacando que os parlamentaristas não ignoram os problemas econômicos e sociais, mas acreditam que a reforma política é essencial para solucioná-los. Ele defende que a substituição do governo pessoal pelo governo verdadeiramente democrático é a chave para enfrentar as dificuldades do país. Enfatiza que a prioridade dada ao problema político é natural, pois o sistema de governo é o instrumento pelo qual todas as demais reformas podem ser viabilizadas. Segundo ele, o presidencialismo favorece a irresponsabilidade, a corrupção e a incapacidade administrativa, além de sobrepor a vontade de um único governante à do parlamento. Isso impede a formação de uma elite dirigente competente e resulta na desordem generalizada. Reforça que nenhuma reforma pode ser eficaz sem antes corrigir o mecanismo político. Ele argumenta que todo problema econômico e social é, em essência, um problema político, pois depende do Estado para sua resolução. Se o poder público estiver corrompido ou disfuncional, toda a organização econômica e social sofrerá as consequências. Assim, para ele, a mudança do sistema de governo é a condição indispensável para qualquer progresso real.