Resumo:
Aborda a desordem orçamentária no Brasil, que se inicia com uma proposta de orçamento do governo que não reflete uma política definida, sendo muitas vezes inexata e insincera, com o objetivo de aparentar um equilíbrio inexistente. Quando o projeto chega ao Congresso Nacional, ele sofre uma grande quantidade de emendas, que, em sua maioria, não são motivadas por uma necessidade real de correção ou melhoria, mas por interesses eleitorais. Em 1947, o número de emendas chegou a 16.220 na Câmara dos Deputados, o que revela a natureza fragmentada e desorganizada do processo orçamentário. Argumenta que esse problema não é exclusivo do Brasil, mas é exacerbado pelo sistema político presidencialista, que permite a desfiguração do orçamento. No sistema parlamentarista, ao contrário, o governo está constantemente no Parlamento, e existe uma colaboração estreita entre os dois poderes, o que garante maior estabilidade e responsabilidade no processo orçamentário. Nesse contexto, as emendas ao orçamento são limitadas e visam correções pontuais. Defende que o problema da desordem orçamentária é, em grande parte, causado pelo sistema presidencialista, que permite uma prática insensata, onde cada deputado busca seus próprios interesses, sem considerar o impacto no plano administrativo do governo. A reforma para um sistema parlamentarista, segundo Pilla, poderia ser uma solução para esse problema.