Resumo:
Analisa a situação de Getúlio Vargas após seu discurso em Belo Horizonte, questionando sua capacidade de continuar governando devido às circunstâncias que o cercam. Vargas, apesar de ainda ocupar o cargo e assinar documentos no Palácio do Catete, já está efetivamente deposto, embora de forma não oficial. Aponta que a permanência de Vargas no poder é marcada por uma grande humilhação, já que ele não demonstrou a dignidade necessária para se afastar, especialmente diante das graves acusações envolvendo sua família. Critica a postura de Vargas, comparando-o a um jogador que aposta tudo na esperança de reverter a situação a seu favor, mesmo sem condições de governar com legitimidade. Sugere que, para preservar sua inocência e manter a confiança da população, Vargas deveria renunciar ao cargo e permitir que a verdade fosse esclarecida sem qualquer dúvida. Ele questiona a moralidade de Vargas e de seus aliados, como Gustavo Capanema, que defendem sua permanência no governo. Afirma que a decisão de não renunciar, mesmo diante das suspeitas, demonstra uma falha moral grave, já que, apesar de ser o presidente, Vargas não exerce mais a função de governar. A crítica central do texto é a falta de sensibilidade moral, com Pilla defendendo que, ao invés de depender da pressão popular, o próprio Vargas deveria tomar a decisão ética de se afastar para preservar sua dignidade e a confiança nas instituições.