Resumo:
Aborda as frequentes intervenções das Forças Armadas na política brasileira e questiona a existência de um "caudilhismo militar" no país. Ele argumenta que, apesar dessas intervenções, o Brasil não tem um fenômeno de caudilhismo típico de outros países da América Latina. Ao contrário, essas intervenções ocorrem sempre por motivos de ordem geral e não em benefício de um grupo militar. Explica que o principal motivo para essas intervenções é a rigidez excessiva do sistema presidencialista brasileiro, que, incapaz de resolver crises políticas de maneira natural, acaba por gerar um vazio que leva os militares a intervir. A intervenção é sempre solicitada por políticos que veem nas Forças Armadas a única solução para situações de crise. Ele também faz uma comparação com o sistema parlamentarista, que, segundo ele, resolveria as crises de forma mais eficiente, por meio de mecanismos como o voto de desconfiança e a renúncia do presidente. No sistema presidencialista, as crises se acumulam sem uma solução clara, resultando em um cenário propício para a intervenção militar. Conclui que o Brasil deve preservar a independência das Forças Armadas, mas também enfatiza a urgência em substituir o sistema presidencialista por um sistema parlamentarista, que ele considera ser a solução verdadeiramente democrática para o país.