Resumo:
Ao comentar a posição de Pedro Dantas sobre a influência do dinheiro nas eleições, Pilla, esclarece que as objeções contra o voto exclusivo na legenda partidária são baseadas em confusões. A principal crítica de Dantas é que a despersonalização do voto nas legendas prejudicaria o mandato político, fazendo com que o povo fosse governado por candidatos não escolhidos diretamente por ele. Argumenta, no entanto, que o voto não é destinado a escolher governantes, mas representantes, conforme a Constituição. A escolha dos candidatos é uma prerrogativa dos partidos, e o eleitorado intervém apenas sistematizado através dessas legendas. Portanto, o voto na legenda não altera substancialmente a escolha dos representantes, visto que a seleção já ocorre dentro do partido. Também refuta a ideia de que a despersonalização do mandato seja prejudicial à democracia. O processo de personalização do voto, que antes visava escolher pessoas de forma individual, não representava uma solução orgânica para os problemas coletivos. A democracia moderna exige partidos bem organizados, que defendam princípios e soluções claras. O representante político não é uma figura isolada, mas um instrumento do partido. Dessa forma, o voto na legenda, longe de enfraquecer a democracia, reforça a representação de princípios e soluções que são de interesse coletivo.