Resumo:
Analisa as dificuldades políticas enfrentadas pelo Brasil, considerando a incapacidade do povo de exercer plenamente a democracia devido à ausência de instrumentos políticos adequados e à falta de preparo cívico. Segundo ele, o problema não está no povo, mas nos seus dirigentes, que conduziram o país de uma falsa democracia antes de 1930 para uma longa ditadura, interrompida apenas formalmente. Com o fim da ditadura estadonovista, o retorno à democracia foi conduzido de maneira precipitada. A realização das eleições sem a devida organização política resultou na persistência de um sistema defeituoso. Não havia partidos estruturados, apenas grupos improvisados em torno de candidaturas. O povo, recém-saído da ditadura, não estava preparado para o voto, tornando-se vulnerável à demagogia. Esse erro inicial gerou desordem política, econômica e moral. Defende uma reforma política profunda, apontando que a maioria dos parlamentares já apoia a emenda parlamentarista. No entanto, a sucessão presidencial domina o cenário, e os grupos políticos, mais preocupados com seus interesses, resistem à mudança. Para ele, disputar o comando do país sem corrigir suas falhas estruturais é como disputar o comando de um naufrágio. Conclui que o Brasil precisa reformar sua estrutura democrática, pois, mesmo que um bom presidente fosse eleito, o país continuaria afundando caso o sistema de governo não fosse corrigido.