Resumo:
Analisa a situação política do governo de Café Filho, destacando a falta de uma maioria parlamentar estável que o sustente. Ele observa que, por ser membro de um partido pequeno e ter chegado ao poder por circunstâncias específicas, Café Filho não pode realizar um governo partidário. Com o fim da antiga maioria no Congresso, não há mais um líder da maioria, restando apenas os líderes dos diversos partidos políticos. Diante desse quadro, Pilla argumenta que, sem uma base sólida, torna-se essencial que o governo tenha um líder parlamentar capaz de expressar e defender sua política dentro do Legislativo. No modelo presidencialista latino-americano, quando o governo possui uma maioria organizada, o líder da maioria se confunde naturalmente com o líder do governo. Porém, na atual conjuntura, essa separação precisa ser clara para garantir a coordenação política. Critica a tentativa de jogar a responsabilidade política inteiramente sobre o Congresso, apontando que, justamente por não ter um caráter partidário, o governo precisa de um interlocutor político eficaz para dialogar com os demais líderes. Como os ministros de Estado só podem comparecer ao Congresso com prévia autorização, a falta de um líder parlamentar torna a articulação política ainda mais difícil, prejudicando a governabilidade.