Resumo:
Analisa a questão da candidatura militar, criticando a proposta defendida por alguns setores da imprensa, como o "Correio da Manhã", que sugere a candidatura de um militar como solução para a crise política. Explica que a candidatura de um militar não deve ser vista como uma candidatura militar por si só, mas como uma circunstância, assim como outras profissões civis. A razão para se cogitar uma candidatura militar está no desejo de evitar a luta eleitoral entre os maiores partidos, que, no regime democrático, poderiam resultar em desordem e até em um candidato extremista, incapaz de respeitar o regime democrático. Aponta que o atual sistema presidencialista concentra tanto poder nas mãos do presidente da República, que a conquista desse cargo se torna uma questão de vida ou morte para os partidos, gerando tensões e instabilidade. A impreparação política da massa, gerada pela ditadura e pela falha do presidencialismo, contribui para esse cenário de crise. Reconhece que a proposta de um candidato militar surge como uma tentativa de evitar a luta partidária e de buscar um "magistrado armado" que possa ser visto como uma figura neutra entre as facções rivais. No entanto, ele alerta para os perigos do bonapartismo e enfatiza que a verdadeira solução para a crise deve ser uma reforma do sistema político, especialmente do presidencialismo, que considera ser a principal causa da crise que se avizinha.