Resumen:
Critica a visão do grande jornal paulista que considera a adoção do sistema parlamentarista no Brasil como uma simples imitação sem fundamento. Para ele, essa crítica ignora a história do Brasil, onde o sistema parlamentarista foi praticado durante o Segundo Reinado, embora não estivesse previsto na Constituição Imperial. Argumenta que, ao contrário do que o jornal sugere, a escolha do presidencialismo em 1891 também foi uma imitação sem base, pois se inspirava no modelo dos Estados Unidos. A Constituição Imperial, que defendia a "independência e harmonia dos poderes", e o direito do Imperador de nomear e demitir ministros, foi em grande parte transcrita para a Constituição Republicana, tornando o Brasil um regime presidencialista. Apesar disso, Pilla destaca que o sistema parlamentarista surgiu naturalmente no Brasil, devido à "vocação democrática" do povo, ainda que contrariasse a lei escrita da época. Ele enfatiza que o parlamentarismo no Brasil não foi uma imitação cega, mas um fenômeno espontâneo e legítimo, que refletia a prática política do país. Para ele, a adoção do parlamentarismo na República seria a retomada de uma tradição política genuína, e não uma tentativa de copiar um modelo estrangeiro. Conclui que, ao invés de buscar justificar ideias com "sociologismo", deve-se entender a evolução política brasileira com base em sua própria história e vocação democrática.