Resumo:
Analisa as dificuldades enfrentadas pela oposição à candidatura de Juscelino Kubitschek, destacando o papel fundamental do dinheiro nas campanhas eleitorais brasileiras. Ele observa que, para enfrentar a candidatura de Juscelino, a oposição precisaria de recursos financeiros equivalentes ou superiores, mas muitos candidatos não têm acesso aos fundos necessários, que frequentemente provêm de fontes questionáveis, como a corrupção. Esse cenário é descrito como uma consequência direta do sistema presidencialista, que fomenta a plutocracia e, eventualmente, a cacocracia, um governo dos piores. Critica a centralização do poder no presidente da República, característica do sistema presidencialista, que transforma a política em um jogo de poder econômico, onde as eleições são decididas por quem tem mais dinheiro, e não por princípios democráticos. A situação é ainda mais complexa devido à dependência de apoio de outros partidos para viabilizar a candidatura de Juscelino, o que cria um ambiente de alianças e negociações políticas que giram em torno de interesses financeiros e de poder. Ele alerta que a solução para a crise política não está na escolha do novo presidente, mas na necessidade urgente de uma reforma política. Contudo, acredita que o sistema atual torna quase impossível realizar tal reforma a tempo, pois o funcionamento do regime apenas agrava a corrupção e a degradação da vida pública. Sugere que o presidencialismo impede a solução dos problemas estruturais do Brasil, agravando ainda mais a crise política e moral do país.