Resumo:
Aborda o conceito de democracia representativa e sua relação com a tributação e o orçamento público. Começa com a premissa de que, na democracia moderna, não há tributação sem o consentimento expresso dos contribuintes, ou seja, sem o voto. Esse princípio gerou a limitação das prerrogativas absolutas dos monarcas e, consequentemente, o direito de fiscalizar e definir a aplicação dos impostos. A elaboração do orçamento público surge como uma ferramenta essencial da democracia. Critica uma proposta no programa de Marcondes Filho, que sugere que, caso o orçamento não seja enviado à sanção até 30 de novembro, ele seja prorrogado para o próximo exercício. De acordo com Pilla, essa proposta criaria uma situação onde o orçamento seria decidido unicamente pelo Presidente da República, sem participação do Legislativo. Tal medida representaria um retrocesso democrático, estabelecendo uma "ditadura financeira", onde o Executivo controlaria arbitrariamente os recursos públicos. Enfatiza a importância da representatividade democrática na elaboração do orçamento. Para Pilla, um orçamento legítimo, embora possivelmente insatisfatório, é preferível a um orçamento imposto sem o devido processo parlamentar. Alerta para o risco de fortalecer ainda mais a centralização de poder no Executivo, o que prejudicaria a democracia. A crítica é uma defesa da verdadeira democracia, onde as decisões sobre o uso dos recursos públicos são coletivas e transparentes.