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Comenta o discurso de posse de Munhoz da Rocha no Ministério da Agricultura, onde o ministro aponta dois inimigos da democracia: o primarismo e a demagogia. Concorda com a observação, mas questiona as razões por trás dessa situação no Brasil. Ele afirma que, apesar do país já ter vivido um período de alta formação política, a ditadura prolongada a partir de 1930 causou um retrocesso na democracia, suspendendo virtudes essenciais como a tolerância e o entendimento político. Destaca que o sistema presidencialista, caracterizado pela concentração de poder no executivo, contribui para esse primarismo, já que transforma a vida pública numa contínua disputa de poder, sem promover uma educação política efetiva. Ele observa que, sob o presidencialismo, os políticos se concentram em manipular votos e apelar às paixões populares, gerando demagogia. Antes de 1930, quando o voto era mais restrito, havia menos espaço para esse tipo de prática, mas com a generalização do voto popular, o sistema político se tornou mais vulnerável à demagogia, pois o povo, ainda despreparado para fazer escolhas políticas conscientes, passa a ser manipulado. Conclui que, embora Munhoz da Rocha tenha identificado esses problemas, faltou ao ministro uma análise mais profunda das suas causas. |
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