Resumo:
Reflete sobre a crítica de Jânio Quadros ao sistema presidencialista, que, segundo o ex-presidente, não falhou por conta da estrutura, mas sim pelas falhas dos homens. Pilla vê essa visão como extremamente pessimista, pois, se o país depende apenas da qualidade dos governantes, e estes continuam a falhar, isso indicaria que o país está perdido. Ele também aponta que existe uma categoria perigosa de políticos, os "homens providenciais e carismáticos", que acreditam que sua liderança pessoal pode resolver os problemas do país, desconsiderando reformas estruturais. Contudo, contesta a ideia de que a culpa seja apenas dos homens, afirmando que o problema reside na própria estrutura presidencialista. Ele aponta dois aspectos cruciais do sistema: a irresponsabilidade dos governantes e o processo falho de seleção política. O presidencialismo, para ele, não educa a população para a vida pública, não prioriza o mérito e afasta os melhores espíritos da política. Em contraste, o parlamentarismo, que prioriza a responsabilidade e o mérito, poderia corrigir as falhas pessoais dos governantes. Conclui que as instituições presidencialistas falharam devido à estrutura inadequada, e não pelas falhas dos homens que as ocupam. Ele defende que a mudança estrutural é necessária para corrigir os erros do sistema e garantir o surgimento de melhores governantes, como aconteceu antes da adoção do presidencialismo no Brasil.