Resumo:
Aborda a grave situação política do Brasil, caracterizada pela decomposição do sistema presidencialista e pela ineficácia das reformas eleitorais. Ele destaca que, apesar de defenderem o regime, aqueles que estão no poder apressam seu fim, conduzindo o país a uma lógica destrutiva. A crise tem raízes na legislação eleitoral, que foi um dos pilares do regime democrático representativo. A precariedade da base eleitoral na República Velha foi um dos fatores que resultaram na Revolução de 1930. O Código Eleitoral de 1932, embora com falhas na proporcionalidade, foi um marco positivo, garantindo representatividade e justiça. Contudo, o golpe de 1937 destruiu esse avanço, e a redemocratização de 1945 não trouxe a restauração do código anterior, mas uma nova legislação eleitoral, que favorece fraudes e favorecimentos. Tentativas de melhorar o sistema, como a introdução de identificação do eleitor, não tiveram sucesso. Também menciona os esforços para corrigir os defeitos da legislação com a proximidade da eleição presidencial, mas, apesar de algumas tentativas, os problemas persistem. Conclui que, ao invés de seus adversários, são os próprios defensores do sistema presidencial que estão contribuindo para sua ruína, o que pode resultar não apenas no colapso do presidencialismo, mas também na queda do regime democrático, o que ele vê como uma calamidade para o país.