Resumo:
Analisa as causas profundas da corrupção eleitoral, especialmente o voto comprado, e critica o sistema eleitoral e político vigente. Ele observa que, embora existam defeitos conhecidos nas leis eleitorais, como o voto por dinheiro, as causas mais profundas estão relacionadas ao próprio regime político, particularmente ao sistema presidencialista. Argumenta que, se o voto fosse mais partidário do que pessoal, como prescrito pela Constituição, o interesse financeiro em corromper eleitores diminuiria. Ele critica a falta de partidos políticos representativos no Brasil, uma vez que o sistema federativo e o presidencialismo dificultam sua formação. Para Pilla, os partidos no Brasil são, em sua maioria, meros sindicatos eleitorais, ao contrário dos partidos europeus, que possuem uma base ideológica e são fundamentais no governo. Ele destaca que, em um sistema parlamentarista, onde os partidos são representativos, a consciência cívica dos eleitores seria mais apurada e a negociação do voto seria mais difícil, já que o eleitor entenderia melhor seu papel nas decisões políticas. Conclui que, enquanto o sistema atual permitir a formação de partidos meramente eleitorais, a corrupção eleitoral continuará sendo um problema difícil de combater, uma vez que a influência do dinheiro no processo eleitoral é uma consequência da estrutura política inadequada.