Resumo:
Aborda um dos principais defeitos do sistema presidencialista: a eleição popular do chefe de Estado. Embora, teoricamente, a sanção do voto popular seja justificável do ponto de vista doutrinário, na prática, é um processo trabalhoso, incômodo e perigoso. A principal contradição está nas plataformas presidenciais, que, ao invés de serem programas de governo, são estratégias eleitorais criadas para conquistar votos, sem a intenção de resolver problemas reais. Além disso, é impossível elaborar um programa de governo para um período longo, dado que as condições sociais e políticas são complexas e mutáveis. O sistema parlamentarista, por outro lado, possibilita um governo mais adaptável, com programas administrativos voltados para questões imediatas. A contradição nas plataformas presidenciais gera desilusão, já que elas não são responsáveis pela escolha do eleitorado. O que realmente conta é a figura do candidato e não seu programa de governo, o que transforma as campanhas em um espetáculo midiático, mais focado em impressionar a sensibilidade do eleitor do que em apresentar propostas sólidas. Essa deformação do sistema democrático acaba gerando uma divisão perigosa entre o candidato e o presidente eleito, pois, muitas vezes, o melhor candidato não é o melhor governante. A consequência disso é a irresponsabilidade política e a degradação da vida pública. Para Pilla, a única solução seria a adoção do sistema parlamentarista, que permitiria uma escolha mais qualificada e eficaz para o governo.