Resumo:
Analisa a crise política do Brasil, destacando o impacto do sistema presidencialista e do voto proporcional na governabilidade. Segundo Pilla, a principal causa do caos é o presidencialismo, onde o enorme poder do presidente da República, conquistado por meio de uma eleição popular, cria uma disputa acirrada que favorece ambições pessoais e aventureiras. A falta de uma maioria absoluta no processo eleitoral também estimula esse cenário, permitindo que uma minoria do eleitorado conquiste o poder de governar. O voto proporcional, embora tenha como objetivo substituir os sindicatos eleitorais, também contribui para a confusão, sem alcançar a criação de partidos verdadeiros. Critica a concentração de poder no presidente, que se transforma em uma "ditadura constitucional". Defende que apenas grandes personalidades com civismo e elevação moral seriam capazes de equilibrar esse poder. No entanto, o que se observa é que os candidatos, muitas vezes, recorrem à demagogia para conquistar votos, sem apresentar propostas ou princípios claros. O voto se transforma em uma disputa de popularidade, onde as paixões são acirradamente infladas, e os candidatos acabam apelando para a propaganda pessoal e intensiva. Conclui que a demagogia é inseparável do regime presidencialista, especialmente em países latino-americanos, onde o voto tem mais impacto. A política se torna um jogo de ambição pessoal, e a verdadeira governança fica comprometida.