Resumo:
Discute a questão da democracia na Argentina, abordando a ascensão de Juan Domingo Perón ao poder e sua relação com os eventos políticos anteriores. Começa citando Alberto Gainza Paz, que afirmou que Perón destruiu noventa anos de democracia no país. No entanto, Pilla reflete sobre essa crítica, destacando que, antes de Perón, a Argentina já enfrentava um regime autoritário, mesmo sob governos eleitos como o de Irigoyen. Aponta que, em muitos países latino-americanos, não existia uma verdadeira democracia, embora o voto fosse secreto e os governos seguissem as formalidades constitucionais. Critica a ideia de que apenas o voto livre seria suficiente para garantir a democracia, enfatizando que é necessário um sistema institucional adequado para que o voto tenha eficácia. Ele afirma que Perón, em vez de destruir uma democracia sólida, substituiu um sistema imperfeito por um regime despótico, comprometendo ainda mais o processo democrático. Também observa a diferença de mentalidade entre europeus e latino-americanos sobre a democracia, sugerindo que, enquanto na Europa a falta de democracia é percebida de forma clara, na América Latina, um regime autoritário pode ser considerado uma forma de democracia. Por fim, Pilla conclui que a lição do caso argentino é que a América Latina não deve se contentar com uma "meia-democracia", pois isso pode levar a retrocessos, e que a democracia na região precisa se aproximar dos padrões europeus para ser verdadeiramente eficaz.