Resumo:
Discute a proposta de coincidência de mandatos durante a Assembleia Constituinte e a legislatura subsequente, onde se sugeria realizar as diversas eleições no mesmo dia para os poderes executivo e legislativo em níveis federal, estadual e municipal. A ideia visava evitar a influência do presidente sobre a formação do Congresso, reduzir a mobilidade do eleitorado e, principalmente, gerar economia de recursos ao realizar várias eleições simultaneamente. No entanto, Pilla destaca os sérios inconvenientes dessa simplificação. Primeiramente, a coincidência de eleições pode causar confusão e desorientação entre o eleitorado, pois as eleições municipais nem sempre têm os mesmos interesses e significados das federais, por exemplo. Para os partidos, a coincidência é ainda mais prejudicial, pois enfraquece a unidade dos partidos nacionais. As seções estaduais tendem a se concentrar em interesses regionais, criando alianças eleitorais focadas no pleito estadual, muitas vezes negligenciando as candidaturas nacionais do partido. Isso também ocorre nas eleições estaduais e municipais, que geram alianças temporárias e pragmáticas, visando exclusivamente a vitória local, mas prejudicando a coesão partidária. Conclui que, embora a coincidência de eleições possa trazer algumas vantagens, os inconvenientes gerados pela fragmentação dos partidos e a confusão do eleitorado são muito mais significativos, enfraquecendo a estrutura partidária e a política nacional.