Resumo:
Reflete sobre a recente eleição no Brasil, destacando que, embora tenha ocorrido sem desordem e com menor abstenção do que o esperado, ele questiona o otimismo que a sociedade demonstrou. Ele se opõe à visão de que a simples realização de eleições caracteriza uma democracia. Cita um opúsculo de seis anos atrás, que afirma: "não basta a eleição a caracterizar a democracia", pois, em muitos casos, eleições populares deram origem a regimes autocráticos. Critica o excesso de otimismo ao considerar que a democracia está plenamente realizada apenas porque uma eleição aconteceu, especialmente em um país onde a corrupção tem se tornado um aspecto central da vida pública. Ele argumenta que, para que se tenha uma democracia genuína, são necessárias reformas profundas nas instituições e nos hábitos da sociedade. Defende que a democracia é um regime baseado na virtude, e que, para isso, é essencial uma transformação no entendimento moral e filosófico da população sobre os princípios democráticos. Ele aponta que essa é uma responsabilidade dos filósofos, que devem incutir os valores que sustentam a democracia, os quais parecem estar sendo ignorados ou desprezados na sociedade atual.