Resumo:
Analisa os perigos do presidencialismo no Brasil, especialmente quando se entregam pastas militares a ministros militares. Ele destaca os graves riscos desse arranjo, como demonstrado pela entrevista do general Lott, que revelou uma operação político-militar que comprometeu a estabilidade do regime. Argumenta que um ministro civil, sem vínculos com os quadros militares, não teria a capacidade de planejar ou executar tais operações, o que coloca em evidência a crescente concentração de poder nas mãos dos militares. Quando um ministro militar assume o cargo, ele ultrapassa a função administrativa e se torna um dos principais atores políticos, com influência decisiva sobre as Forças Armadas, o que lhe confere poder superior ao do próprio presidente da República. Alerta que isso pode subverter o regime e comprometer a segurança constitucional, como exemplificado pela crise de 1955. Além disso, a prática de envolver militares nas disputas políticas internas enfraquece a separação entre as questões civis e militares, permitindo que disputas políticas se transfiram para o seio das Forças Armadas. Isso, segundo Pilla, não só desestabiliza o regime, mas também perturba a vida política nacional. Em sua análise, a centralização do poder militar e o fortalecimento de ministros militares tornam essas figuras as mais importantes no cenário político, comprometendo ainda mais o alicerce constitucional do Brasil.