Resumo:
Reflete sobre a aparente apatia da população do Rio de Janeiro durante os recentes eventos políticos, observada por correspondentes estrangeiros. Em contraste com o passado, quando o povo demonstrava uma intensa participação cívica, como no Sete de Abril de 1831, a atual indiferença sugere um sentimento de fatalismo ou a convicção de que nada pode ser alterado. Recorda o episódio de 1831, quando o povo se mobilizou contra a política de D. Pedro I, após a nomeação de um ministério considerado ineficaz. O povo, reunido no Campo de Santana, exigiu a demissão do ministério e a reintegração dos ministros depostos. Mesmo diante da negativa de D. Pedro, o povo, apoiado pela tropa, manteve-se firme até que o imperador abdicou. Nota que, mais de um século depois, em 1889, o povo assistiu, passivamente, à proclamação da República, como se tivesse se resignado a um papel de espectador. Sugere que, apesar das grandes transformações ao longo dos anos, a mudança mais significativa foi no comportamento da população, que parece ter perdido o ímpeto de agir e se engajou na política, aceitando um papel mais distante da dinâmica do poder. A reflexão de Pilla toca a fragilidade do envolvimento popular nas questões políticas, sugerindo que, ao longo do tempo, o povo passou a ver sua participação como algo distante e sem efeito.