Resumo:
Questiona se os eventos políticos recorrentes na América Latina, como a instabilidade no Paraguai, são apenas casos isolados ou manifestações de um problema sistêmico. Ele argumenta que essas crises são sintomas de uma doença endêmica comum às nações latino-americanas: o presidencialismo. Embora os Estados Unidos também adotem esse sistema, não sofrem do mesmo caudilhismo que caracteriza a região. No entanto, Pilla aponta que, mesmo ali, há sinais do problema, como a corrupção extrema na vida pública, consequência direta da irresponsabilidade política inerente ao presidencialismo. A América Latina, diferentemente dos Estados Unidos, teve um desenvolvimento social e político que favoreceu o surgimento do caudilhismo, consolidado pelos próprios fundadores dessas repúblicas. Movidos por um espírito imitativo e uma tendência pouco democrática, adotaram um sistema que não corrigia, mas institucionalizava e fortalecia o problema. Ressalta que esse erro continental só foi enfrentado pelo Uruguai, enquanto as demais nações seguem pagando um alto preço por suas escolhas políticas. O caso do Paraguai, segundo ele, é apenas o exemplo mais visível de um fenômeno que atinge todas as repúblicas latino-americanas, sem exceção. Defende que, sem uma correção estrutural, a região permanecerá presa a ciclos de crises políticas e instabilidade, perpetuando o autoritarismo e a fragilidade democrática que caracterizam suas instituições.