Resumo:
Aborda a questão da redução dos partidos pequenos no contexto político brasileiro. Refuta a ideia de que a fragmentação partidária seria a principal causa da desordem política e administrativa no país. Ele argumenta que, ao contrário do que muitos defendem, o Brasil possui pelo menos três grandes partidos, com um deles exercendo considerável força parlamentar. Mesmo que outros partidos menores se unissem, não seriam capazes de perturbar o jogo político dos grandes partidos. Critica a justificativa de eliminar os partidos pequenos, lembrando que, embora existam partidos menores que são apenas uma fachada comercial, também existem partidos menores sérios, com uma mensagem válida, que podem eventualmente atrair mais apoio popular no futuro. Ele questiona a moralidade e a justiça de eliminar esses partidos apenas por seu tamanho. Também destaca que, na atual configuração política, com um sistema presidencialista, a existência de partidos menores ajuda a dar mobilidade ao quadro político, permitindo maior flexibilidade no jogo democrático. Ele observa que a legislação brasileira impede a criação de sublegendas, o que leva os dissidentes a se refugiarem nos pequenos partidos, oferecendo uma alternativa ao controle dos grandes. Por fim, Pilla conclui que, ao invés de reduzir os pequenos partidos, a verdadeira ameaça à democracia brasileira vem da concentração de poder, caracterizada pela ditadura no governo e nas estruturas partidárias.