Resumo:
Analisa o papel das insurreições militares nas democracias latino-americanas, especialmente no Brasil, caracterizando-as como um processo recorrente e quase natural dentro do sistema presidencialista. Tais insurreições, ao buscar instaurar ou derrubar ditaduras, geram resultados diferentes dependendo do sucesso ou fracasso do movimento. Quando vitoriosas, as insurreições ganham legitimação, mas quando falham, os responsáveis são tratados como rebeldes, embora a normalidade do processo revolucionário possa suavizar as punições. No contexto do governo de Juscelino Kubitschek, o autor aponta uma nova situação: os militares, em vez de participarem de uma rebelião derrotada, recusaram-se a apoiar um movimento contra o governo constitucional. A vitória do movimento contra o governo constitucional não justifica, portanto, a punição dos militares que mantiveram a lealdade à legalidade. Critica a atitude do governo em tratar esses militares como culpados, uma vez que não houve rebelião e, ao contrário, os militares apenas se abstiveram de apoiar um golpe. Questiona as ações do governo em punir aqueles que estavam com a legalidade e revela a contradição do governo ao premiar os golpistas, sugerindo que um movimento de amnistia ampla seria a solução mais sensata para a estabilidade do país. Ele conclui que a atitude do governo, representada por General Lott, foi insana, optando pela perseguição em vez da paz, o que prejudicou ainda mais o cenário político e militar do Brasil.