Resumo:
Critica a distorção do sistema presidencialista no Brasil, destacando que, enquanto no parlamentarismo os ministros possuem autonomia e prestam contas ao Legislativo, no presidencialismo eles são meros auxiliares do presidente, sem independência real. Embora as Constituições de 1934 e 1946 tenham buscado elevar a posição dos ministros, permitindo sua participação no Congresso, isso não mudou sua completa dependência do presidente, que continua sendo o único detentor do poder executivo. Ele aponta que, desde novembro de 1955, houve uma inversão completa desse modelo, com episódios como o impedimento de dois presidentes de forma mais abrupta do que a queda de gabinetes no parlamentarismo. Além disso, critica o veto à reforma parlamentarista imposto pelo ministro da Guerra, contrariando a postura inicial de Juscelino Kubitschek, que havia decidido não interferir na decisão do Congresso. O mais grave, segundo Pilla, foi que, ao invés de reafirmar sua autoridade, Kubitschek rapidamente endossou a posição do ministro, invertendo a lógica do presidencialismo. Com isso, Pilla argumenta que o Brasil estava praticando um sistema presidencialista invertido, onde não era o presidente quem orientava seus ministros, mas sim o contrário, especialmente com o ministro da Guerra determinando a posição presidencial. Ele conclui que essa situação representa uma subversão do regime, demonstrando que o presidencialismo estava sendo desvirtuado na prática.