Resumo:
Analisa a hostilidade da maioria da imprensa brasileira em relação à reforma parlamentarista, mesmo quando este sistema concede maior poder à opinião pública e fortalece a influência dos meios de comunicação. Questiona por que, então, os jornais preferem o sistema presidencialista, que limita sua capacidade de influência. Pilla cita Ruy Barbosa para explicar que, em regimes presidenciais, a imprensa substitui a responsabilidade ministerial dos países parlamentares. Barbosa alertava sobre os riscos de manipulação da mídia, afirmando que governos podem enfraquecer a imprensa, transformando-a em uma ferramenta que apenas legitima os seus atos, sem questionamento. A crítica de Pilla revela como a imprensa, ao ser controlada e manipulada, pode perder sua função de fiscalizadora e tornar-se um instrumento de poder. Ele menciona também os escândalos envolvendo subvenções e concessões a jornais, especialmente após a Revolução de 1930 e a ascensão do Estado Novo, onde o intervencionismo econômico e os grandes negócios marcaram a relação entre governo e mídia. Sugere que a resistência à reforma parlamentarista é, em parte, motivada pelo medo da instabilidade política que ela poderia provocar, algo que os impérios jornalísticos atuais buscam evitar. Para Pilla, a reforma proposta ameaça essa estabilidade, e os jornais temem as possíveis consequências para seus interesses.