Resumo:
Reflete sobre as contradições do presidencialismo no Brasil, comparando-o com a experiência europeia e o sistema parlamentar. Observa que, ao ler um artigo de Pedro Cavalcanti no Jornal do Comércio, ele retorna a um momento histórico quase setenta anos atrás, revivendo a mentalidade dos primeiros republicanos brasileiros, que viam a democracia e a república como conceitos idênticos, e acreditavam que o poder pessoal, embora eletivo e temporário, poderia ser a base para uma reforma significativa. Critica essa visão, destacando como, ao longo do tempo, o presidencialismo no Brasil se transformou em uma espécie de "caudilhismo constitucional", responsável pelas frequentes ditaduras e golpes de Estado na América Latina. Desafia a visão de Cavalcanti, que vê o parlamentarismo como uma ameaça ao regime representativo, argumentando que o modelo parlamentarista já funciona com sucesso em diversas democracias no mundo, como na Europa, Canadá e Austrália. Sugere que o verdadeiro desafio do Brasil é a permanência do presidencialismo, que, longe de garantir estabilidade política, tem sido responsável por perpetuar ciclos de instabilidade e degradação institucional. Conclui com uma crítica ao argumento de que o presidencialismo é uma característica exclusiva da democracia nas Américas, sublinhando que outras democracias bem-sucedidas não seguem esse modelo.