Resumo:
Aborda o enfraquecimento do espírito público no Brasil, destacando a evolução do comportamento dos cidadãos em relação ao Estado. No passado, especialmente durante o Império e a primeira fase da República, muitas pessoas se dedicavam ao serviço público de forma altruísta, sem esperar recompensas materiais. No entanto, com o tempo, esse sentimento foi diminuindo, e a República Nova excluiu a prestação de serviços gratuitos ao Estado, tornando tudo uma questão de remuneração. Ele observa que, antigamente, funções como vereador ou prefeito eram voluntárias, e o simples ato de servir à comunidade era considerado uma honra. Porém, com o passar dos anos, essas funções se transformaram em cargos remunerados, o que alterou a relação do cidadão com a política. Pilla também aponta que as câmaras municipais, antes compostas por reuniões esporádicas e de caráter acessível, tornaram-se pequenas câmaras de debate remuneradas. No entanto, destaca um exemplo positivo: a Câmara Municipal de Rosário, no Rio Grande do Sul, que, ao cortar os subsídios dos vereadores, demonstrou um verdadeiro espírito público, elevando o nível da representação municipal. Pilla sugere que esse ato poderia ser um sinal de uma possível reação na consciência cívica do país, embora, em sua opinião, a tendência mais provável seja o agravamento da falta de compromisso com o bem coletivo.