Resumo:
Questiona a suposta austeridade proclamada pelo governo e reivindicada pela oposição. Ele define o termo com base nos dicionários, associando-o a rigidez nos costumes, severidade, disciplina rigorosa e supressão de despesas supérfluas. Transpondo essa ideia para a vida pública, ele destaca que a austeridade verdadeira exigiria eliminação de gastos desnecessários, suspensão de nomeações e um tratamento de pobre honesto na administração do país. No entanto, Pilla ironiza a realidade brasileira, afirmando que a austeridade pregada não passa de um teatro político. Ele aponta a incoerência entre discurso e prática, mencionando que até a figura do presidente parece incompatível com o conceito, pois a austeridade não é alegre, leviana ou frívola, mas sim séria e verdadeira. Mesmo que houvesse algumas restrições nos gastos, o governo teria exagerado sua importância para efeito de propaganda, tornando a austeridade algo apenas encenado, e não vivido. Para ilustrar sua crítica, ele cita o exemplo da Inglaterra, país que enfrentou a guerra com autêntico rigor econômico e seguiu aplicando essa política mesmo após o conflito. Comparando com o Brasil, ele sugere que ocorre o oposto da austeridade e, de forma satírica, diz temer que o governo envie uma comitiva luxuosa para a Inglaterra apenas para "estudar a austeridade", reforçando a hipocrisia da administração pública.