Resumo:
Reflete sobre o significado do sacrifício do major Vaz, contrapondo a visão oficial do ministro da Aeronáutica com sua própria interpretação crítica. O ministro afirma que a memória de Vaz não deve ser usada para desordem, paixões desmedidas e discórdia, mas sim como um símbolo de tranquilidade, concórdia e justiça. Ele idealiza que esse sacrifício possa servir como um marco de pacificação, unindo consciências na prática do Direito e da verdade. Pilla, no entanto, questiona essa visão otimista. Para ele, a verdadeira consequência da morte de Vaz deveria ser uma regeneração da vida nacional, algo que, segundo observa, não ocorreu. Ele argumenta que não há como haver paz autêntica se os responsáveis pelos problemas do país não demonstram arrependimento, mas sim persistência no erro. A pacificação não pode acontecer sem uma mudança moral profunda, pois aceitar o mal em nome da paz seria uma distorção dos princípios éticos. Conclui que a paz é um grande bem, mas deve ser uma "paz no bem", não uma paz com o mal. Ele critica a possibilidade de uma paz ilusória, construída sobre a impunidade e a aceitação da corrupção, chamando essa falsa harmonia de "paz do charco"—um estado de estagnação moral e conivência com a injustiça. Assim, Pilla rejeita a ideia de uma pacificação sem transformação verdadeira.