Resumo:
Expressa um pessimismo profundo em relação à situação política do Brasil durante o governo de Juscelino Kubitschek. Ele esclarece que suas declarações feitas em São Paulo foram amplificadas pela imprensa, mas reafirma sua visão crítica. Para Pilla, o país enfrenta inúmeros problemas que não são resolvidos, mas agravados, levando a um cenário de instabilidade. Critica o que chama de regime constitucional anômalo, afirmando que o Brasil vive sob o império da demagogia, intensificada pela ditadura estadonovista e não corrigida pelo regime democrático posterior. Em sua análise, o país está inserido no sistema político latino-americano, marcado por ineficiência e crises recorrentes. Sobre Kubitschek, Pilla avalia que ele enfrenta uma situação extremamente difícil, senão catastrófica, e que sua personalidade não é adequada para superá-la. Ele aponta uma limitação estrutural do presidencialismo, onde o presidente concentra o poder e não pode ser facilmente substituído, ao contrário do que ocorre no parlamentarismo. Diante desse quadro, ele prevê que Juscelino terá dificuldades para completar seu mandato de cinco anos. Assim, Pilla expõe uma crítica contundente ao sistema político e à falta de mecanismos para corrigir governos ineficazes, destacando a fragilidade institucional do Brasil e as incertezas sobre a governabilidade de Kubitschek.