Resumo:
Critica o mau funcionamento do sistema presidencialista no Brasil, destacando a constante interferência do Executivo no Legislativo. Ele aponta que a suposta independência e harmonia entre os poderes não ocorre na prática, pois o presidente da República assume frequentemente o papel de legislador, principalmente por meio do recurso ao regime de urgência. Esse mecanismo, segundo Pilla, é utilizado para acelerar a aprovação de projetos de grande relevância, que, por sua própria natureza, exigiriam debate aprofundado. Outro problema do Congresso Nacional é a excessiva quantidade de projetos de lei, muitos dos quais são irrelevantes ou prejudiciais. O excesso de propostas faz com que projetos verdadeiramente importantes sejam adiados, pois os parlamentares tendem a priorizar os mais simples de relatar. Além disso, interesses particulares podem pressionar para que determinadas pautas sejam indefinidamente adiadas. Compara essa situação com o sistema parlamentarista, onde o governo, presente no Parlamento, orienta e organiza a produção legislativa, evitando a confusão e a anarquia do presidencialismo. No parlamentarismo, o veto presidencial praticamente desaparece, e o regime de urgência é reservado apenas para casos realmente necessários. Por fim, argumenta que o presidencialismo só funciona bem em países com grande maturidade política, como os Estados Unidos. No Brasil, porém, o sistema se revela desorganizado e ineficaz, levando a um cenário de crise permanente.